TAVI TAVI

TAVI é a sigla, em inglês, de Transcatheter Aortic Valve Implantation. Também se usa TAVR (Transcatheter Aortic Valve Replacement). Em português: implante de valva aórtica por cateter — o tratamento minimamente invasivo da estenose aórtica.

Em Porto Alegre, a equipe da Clínica Saadi realiza TAVI desde o início da técnica no país, com mais de 1.000 procedimentos — pioneira na adoção de diversos dispositivos e inovações. Os procedimentos são conduzidos pelos Dr. Eduardo Saadi e Dr. Rodrigo Saadi, cirurgiões cardiovasculares com certificação em TAVI pela SBCCV/SBHCI.

O que é TAVI?

TAVI é uma técnica endovascular para tratar a estenose da válvula aórtica sem abrir o tórax. Por uma punção na virilha, com anestesia local, uma prótese é levada até o coração por um cateter e liberada sobre a válvula doente, que passa a funcionar de novo. As siglas TAVI e TAVR são usadas no mundo todo para o mesmo procedimento.

Estenose aórtica: por que ela precisa de tratamento

A estenose aórtica é o estreitamento da válvula que controla a saída de sangue do coração para a aorta. Com a idade, os folhetos da válvula calcificam e endurecem — como uma porta que enferruja e não abre direito. O coração passa a fazer força extra para bombear o sangue.

É a doença valvar mais comum em países desenvolvidos e atinge cerca de 5% das pessoas acima de 75 anos. Quando surgem sintomas — falta de ar, dor no peito ou desmaios aos esforços — a evolução costuma ser rápida, e o risco sem tratamento é alto. Por isso o diagnóstico não deve ficar parado: a medicina mudou, e um laudo antigo não define a conduta de hoje.

TAVI ou cirurgia aberta? Quem é candidato

A decisão não é automática. Ela cabe a um time multidisciplinar — o Heart Team — formado por cirurgiões cardíacos, cardiologistas clínicos e intervencionistas, que avalia cada caso.

A TAVI é indicada principalmente para pacientes de maior risco cirúrgico: em geral acima de 75 a 80 anos, ou com doenças associadas (fragilidade, problemas pulmonares ou renais, cirurgias cardíacas prévias). Estima-se que cerca de um terço dos pacientes com estenose aórtica sintomática teria risco elevado demais para a cirurgia convencional — e é aí que a TAVI muda o cenário.

Para pacientes mais jovens e de baixo risco, a cirurgia aberta segue sendo o padrão ouro, por oferecer resultados de longo prazo mais robustos. A idade pesa, mas a anatomia do coração, as condições clínicas e a expectativa de vida entram na conta. Cada caso é individual.

Como o procedimento é feito

A prótese é uma válvula biológica montada em um stent metálico. Ela vem dobrada dentro do cateter, como um paraquedas, e é navegada até o coração guiada por raio-X. No lugar certo, é liberada: expande, empurra a válvula velha contra a parede da aorta e assume a função. O procedimento costuma durar cerca de uma hora, com sedação leve.

Existem dois tipos de prótese: a expansível por balão, que abre quando o balão é inflado, e a autoexpansível, feita de uma liga metálica que se expande sozinha ao contato com o sangue, sem balão.

Valva aórtica normal, com três folhetos

Valva aórtica normal

Folhetos da valva aórtica espessados e calcificados na estenose

Folhetos espessados e calcificados

Valva aórtica bicúspide, com apenas dois folhetos

Valva aórtica com 2 folhetos

As duas vias de acesso

Na via transfemoral, todo o procedimento é feito pela virilha: os cateteres navegam pela artéria femoral até o coração, dilatam a válvula doente com um balão e implantam a prótese. É a via mais comum e a menos invasiva.

Na via transapical, usada quando o acesso pela virilha não é adequado, uma pequena incisão é feita no lado esquerdo do tórax e o sistema é introduzido pela ponta do ventrículo esquerdo. Em ambas, o resultado é o mesmo: a prótese alivia a obstrução e restabelece o fluxo de sangue.

Ilustração do implante transapical da valva aórtica

Implante Transapical

Ilustração do implante transfemoral da valva aórtica

Implante Transfemoral

Animação 3D — implante transapical da valva aórtica:

Animação 3D — implante transfemoral da valva aórtica:

Tempo de recuperação e pós-operatório

Como não há cortes no tórax na via transfemoral, a recuperação é rápida e com pouco desconforto. A internação gira em torno de 2 a 3 dias, e em cerca de uma semana o paciente costuma retomar as atividades habituais.

Cuidados após o implante

  • Repouso relativo nos primeiros 7 dias após a alta — sem caminhar rápido, dirigir ou correr.
  • Alimentação equilibrada, com pouca gordura animal e controle do sal em caso de pressão alta.
  • Retomar exercício leve (caminhadas a partir de 10 minutos por dia) após 10 dias, com liberação médica.
  • Nos primeiros dias, evitar dobrar muito as coxas sobre o abdômen e ficar agachado por muito tempo, até a artéria da virilha cicatrizar.
  • Não expor a região da virilha ao sol direto por 4 semanas.
  • Revisões periódicas para avaliar a prótese: uma consulta no primeiro mês e, depois, uma vez por ano.
  • Manter o acompanhamento de rotina com o cardiologista.

Quanto tempo dura a válvula

As válvulas usadas na TAVI têm durabilidade excelente, comparável à das próteses biológicas implantadas em cirurgia aberta em pacientes idosos — em geral entre 10 e 15 anos. A tecnologia segue evoluindo a cada geração de dispositivo.

Quais são os riscos

Todo procedimento tem risco. Na TAVI, por ser pouco invasiva, com bom planejamento e paciente bem selecionado, o risco é baixo — menor que 2 a 3%. Ele depende das condições clínicas de cada paciente e deve ser calculado individualmente e conversado antes do implante.

Nunca é tarde para tratar

Um dos mitos mais comuns é o de que o coração pode estar “fraco demais” para o procedimento. Não é assim. A estenose aórtica grave e sintomática sempre deve ser avaliada — mesmo em pacientes com a função cardíaca muito reduzida, que muitas vezes melhoram justamente após o tratamento. Não existe “passou do ponto” sem que um especialista avalie o caso. Se você ou alguém da família tem estenose aórtica grave e sente falta de ar, vale procurar avaliação sem demora.

Perguntas frequentes sobre TAVI

O que é TAVI?

É o implante de valva aórtica por cateter: uma prótese é levada ao coração pela virilha, sem abrir o tórax, para tratar a estenose aórtica. As siglas TAVI e TAVR se referem ao mesmo procedimento.

Qual a diferença entre TAVI e cirurgia convencional?

A cirurgia convencional troca a válvula com o tórax aberto e o coração parado, usando circulação extracorpórea. A TAVI faz a troca por cateter, sem cortes no tórax e sem parar o coração, com sedação leve. A recuperação é mais curta, mas a escolha entre as duas depende do risco e da anatomia de cada paciente.

Qual é o tempo de recuperação da TAVI?

A internação costuma ser de 2 a 3 dias, e a maioria dos pacientes retoma as atividades habituais em cerca de uma semana.

Quais são os cuidados no pós-operatório?

Repouso relativo por 7 dias, alimentação equilibrada, retomada gradual de caminhadas após liberação médica, cuidado com a região da virilha nas primeiras semanas e revisões periódicas — a primeira em um mês e, depois, anuais.

Quais são os riscos da TAVI?

Com bom planejamento e paciente bem selecionado, o risco é baixo (menor que 2 a 3%). Ele varia conforme as condições clínicas e é calculado caso a caso.

Quanto tempo dura a válvula da TAVI?

Em geral de 10 a 15 anos, durabilidade comparável à das próteses biológicas usadas em cirurgia aberta em pacientes idosos.

Quanto custa a TAVI?

Não há um valor único. O custo depende do tipo de prótese, do hospital e da forma de cobertura (SUS, convênio ou particular). A avaliação é individual — o ideal é procurar a equipe para orientação sobre o seu caso.

A TAVI trata a estenose aórtica?

Sim. A TAVI é justamente o tratamento minimamente invasivo da estenose aórtica: a prótese substitui a válvula doente e restabelece a passagem de sangue.

Quem realiza

Dr. Eduardo Saadi — Cirurgião Cardiovascular. Certificação em TAVI pela SBCCV/SBHCI. Professor Titular de Cirurgia Cardiovascular da UFRGS (HCPA); chefe do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital São Lucas da PUCRS; coordenador do Centro da Aorta do Hospital Mãe de Deus. Pós-doutorado no Royal Brompton Hospital (Reino Unido). Membro titular da SBCCV e membro ativo da EACTS. CRM-RS 13877 · RQE 7536 / 7537.

Dr. Rodrigo Saadi — Cirurgião Cardiovascular. Certificação em TAVI pela SBCCV/SBHCI. Doutor em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares pela UFRGS. Especialista em procedimentos endovasculares e minimamente invasivos, com foco em técnica robótica/minimamente invasiva. Membro especialista da SBCCV. CRM-RS 45897 · RQE 44627.

19/09/2020

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