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29 fev
2020

ESTUDO PARTNER 2: 5 ANOS DE SEGUIMENTO

Foi publicado no NEJM os cinco anos de seguimento do estudo PARTNER 2.

Lembrando que o estudo é um ensaio clínico randomizado para implante de valva aórtica por cateter  (TAVI) utilizando válvula expansível por balão SAPIEN ou cirurgia convencional em pacientes com risco cirúrgico intermediário (calculado pelo escore americano STS, considerando risco intermediário de 4 a 8% de mortalidade cirúrgica).

E qual foi o resultado?

Nos desfechos primários do estudo, que são morte por qualquer causa ou AVC debilitante não houve diferença estatisticamente significativa entre TAVI ou cirurgia convencional.

Contudo, quando olhamos para os desfechos secundários, alguns resultados foram levemente favoráveis à cirurgia convencional. Houve mais rehospitalizações e reintervenções na válvula aórtica nos paciente submetidos ao TAVI.

Considerações importantes:

1 –Em aproximadamente 20% dos pacientes submetidos ao TAVI o procedimento foi feito por via transtorácica (transaórtico ou transapical), acesso que é claramente inferior ao transfemoral. Isso pode ter contaminado a amostra de TAVI.

2 – Apesar do maior número de reintervenções nos pacientes submetidos ao TAVI, a grande maioria das reintevenções foi por “leak” paravalvar e foi feita por via percutânea, com mortalidade baixa (5%).

3 – As válvulas utilizadas no TAVI neste estudo são próteses que já saíram do mercado (Sapien XT) e resultavam em muito mais “leak” paravalar do que as válvulas Sapien 3, da nova geração, que incorporou uma saia para reduzir o “leak.” A incidência de “leak” paravalvar teve forte relação com mortalidade ao longo dos 5 anos de seguimento.

4 – A incidência de bloqueio cardíaco e necessidade de marcapasso foi muito semelhante nos dois grupos. Contudo, este estudo utilizou somente válvulas Edwards SAPIEN expansíveis por balão(que ocasionam menos bloqueio que as válvulas auto-expansíveis), não podendo expandir as conclusões para as próteses auto-expansíveis.

5 – A média de idade dos pacientes foi de 81 anos. Portanto, fica difícil expandir os achados para paciente com risco intermediário mais jovens.

6 – Alguns grupos de pacientes foram excluídos do estudo, como pacientes com válvula aórtica bicúspide, infarto recente, cardiopatia isquêmica com SYNTAX score >32. Portanto, temos que ter cuidado e individualizar cada caso.

Enfim, há tendência de mudança da prática clínica com este trial?Apesar de ser um estudo que responde algumas questões importantes do resultado de médio prazo, principalmente em relação à durabilidade neste período, não acreditamos que mude a prática clínica, visto que os paciente mais idosos com risco cirúrgico intermediário já vêm sendo submetidos ao implante de TAVI. Entretanto, este estudo traz mais segurança para indicação do procedimento transcateter para pacientes de risco intermediário mas com faixa estaria mais alta.

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