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Células-Tronco

Todo o organismo pluricelular é composto por diferentes tipos de células. Existem mais de 200 tipos diferentes de células entre as mais de 75 trilhões existentes em um homem adulto. Todas elas derivam das células precursoras, denominadas células-tronco ou células-mãe. Estas são células mestras que tem a capacidade de se transformar em outros tipos de células diferenciadas como as do coração, cérebro, ossos e pele. Esta é uma capacidade especial já que as demais só podem fazer parte de um tecido específico (por ex: células da pele só podem constituir pele). Outra capacidade especial das células-tronco é a da auto-replicação: elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas.

Por causa destas capacidades as células-tronco tem sido objeto de muitas pesquisas e poderiam, hipoteticamente, funcionar como células substitutas em tecido lesado ou morto. A potencial aplicação na ciência médica é imensa como em doenças cardíacas - infarto do miocárdio, cardiopatia isquêmica crônica, miocardiopatia dilatada e cardiopatia chagásica, além de outras doenças neurológica (Alzheimer, Parkinson), neuromusculares, diabetes, entre outras.

O processo de geração das células especializadas (coração, sangue, ossos, nervos) é controlado pelos genes específicos na célula-tronco, mas ainda não se conhece todos os fatores envolvidos nesta diferenciação. Compreender e controlar este processo é um dos grandes desafios para o futuro.

Figura 1. Retirada, coleta e implantação de células-tronco adultas e embrionárias
Figura 1. Retirada, coleta e implantação de células-tronco adultas e embrionárias

As células-tronco são classificadas como:
A)Totipotentes ou embrionárias: são as que conseguem se diferenciar em todos os tecidos que formam o corpo humano, inclusive placenta e anexos embrionários. Só são encontradas nos embriões com até 3 a 4 dias de vida (16 a 32 células).
B)Pluripotentes ou multipotentes: conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos do corpo, menos placenta e anexos embrionários. Estão presentes nas primeiras fases quando o embrião tem até 32 a 64 células (a partir do quinto dia de vida).
C)Oligopotentes: conseguem diferenciar-se em poucos tecidos. São encontradas no trato gastrointestinal.
D)Unipotentes: conseguem se diferenciar em um único tecido e estão presentes no cérebro adulto e na próstata.

As células-tronco funcionam como células curingas no ser humano, ajudando no reparo de uma lesão. As células-tronco da medula óssea (adultas) tem uma função de regeneração das células sanguíneas.

Teoricamente a aplicação destas células em um tecido lesado ou morto (ex. músculo cardíaco) poderia fazê-las se diferenciarem em células miocárdicas, reparando ou melhorando a função do coração. Esta aplicação tem sido estudada através de injeção diretamente no músculo cardíaco e através de administração nas artérias coronárias.

Existem evidências que as células-tronco adultas da medula óssea, em caso de lesão muscular, podem migrar até o local lesado e dar origem a células musculares esqueléticas. Recentemente pesquisadores verificaram que estas células tem potencial multipotente e até pluripotente, dependendo do ambiente em que forem colocadas.

A potencial utilização destas células-tronco adultas em pesquisa eliminaria as questões ético-religiosas envolvendo pesquisa com células embrionárias. Entretanto não parece lógico que estas células adultas da medula óssea do próprio paciente (autólogas) possam curar doenças, principalmente as de origem genética. Por esta razão é importante que prossigam as pesquisas no sentido de comparar a efetividade de células-tronco embrionárias com células-tronco adultas (de medula óssea), associada à terapia gênica.

O tratamento com células tronco continua experimental. Estudos demonstrarão com o tempo qual o verdadeiro papel deste tipo de tratamento.

Notas de apoio:

Cardiopatia isquêmica: Termo usado para definir estreitamentos das artérias coronárias, que levam sangue rico em oxigênio para o coração. Clique aqui para ir até a página da Cardiopatia Isquêmica e saber mais sobre este assunto.