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Varizes

As varizes ou veias varicosas são veias abaixo da pele dilatadas, tortuosas e alongadas, se constituindo em uma das mais comuns entre todas as afecções cardiovasculares. Acometem cerca de 15 % da população geral.

As varizes podem ser divididas em varizes propriamente ditas conforme definição acima e as telangiectasias ou microvarizes, que são pequenos vasinhos avermelhados.

As telangiectasias, microvarizes ou aranhas vasculares são capilares ou vênulas intradérmicas que se dilatam e ocorrem com maior freqüência na coxa. A causa do seu aparecimento não é bem conhecida mas parece haver um fator hormonal envolvido, principalmente o estrógeno, sendo bem mais comum nas mulheres. Podem se tornar sintomáticas na menstruação e aumentam na gravidez e com o uso de anticoncepcionais orais.

Ambas as variações ocorrem mais em mulheres e aumentam com a idade. Na grande maioria dos casos (75%) as varizes são bilaterais.

A maior parte das veias varicosas resultam de uma predisposição genética ou familiar que leva a perda da elasticidade da parede da veia e à imcompetência das válvulas venosas. Estas são denominadas varizes primárias ou essenciais e são as mais freqüentes.

Figura 1. Veia normal e veia varicosa – dilatada e com válvulas insuficientes
Figura 1. Veia normal e veia varicosa – dilatada e com válvulas insuficientes

Existem vários fatores de risco no desenvolvimento das varizes, sendo que a idade é um dos mais importantes. As varizes são extremamente raras em crianças e aumentam progressivamente com a idade chegando a atingir mais de 70% das pessoas com mais de 70 anos. Isto sugere que, pelo menos em parte, possa haver um componente degenerativo da própria veia com o decorrer do tempo.

As mulheres são mais predispostas que os homens na proporção de até 4:1. Há, provavelmente, influência de fatores hormonais e de gestações.

O fator racial tem sido freqüentemente discutido e há uma prevalência muito baixa em populações negras da África, raças árabes, indianas e asiáticas. Por outro lado, a prevalência é extremamente alta em brancos ocidentais.

A obesidade também pode ser um fator desencadeante de varizes pela maior compressão abdominal sobre a veia cava inferior.

A postura predominante durante o trabalho como causa de varizes é discutível mas a permanência por longos períodos em pé ou na posição sentada pode piorar a doença pré- existente, assim como o sedentarismo, já que o exercício físico, principalmente a caminhada contribui para a sua prevenção.

Há ainda alguns fatores que ainda não estão bem documentados como dieta e utilização de hormônios, que podem desempenhar um papel importante da doença varicosa e suas manifestações clínicas.

Quanto aos sintomas, as principais queixas de pacientes com varizes são, além da desagradável aparência estética, dor, cansaço e peso nas pernas, principalmente no final do dia, sintomas estes que melhoram com a elevação das pernas. A associação entre os sintomas e as varizes de membros inferiores é de difícil caracterização. A dor, a sensação de peso e cansaço nas pernas, cãimbras e edema estão relacionadas com varizes maiores enquanto somente a sensação de peso mais ligada às telangiectasias.

O diagnóstico é feito quase na totalidade dos casos somente com uma história clínica cuidadosa e um exame físico bem conduzido. A permeabilidade do sistema venoso profundo, a incompetência valvular e o refluxo podem ser avaliadas com o Ecodoppler em casos selecionados.

As complicações que podem ocorrer são: tromboflebite superficial (inflamação e trombose da veia doente) causando muita dor e incapacidade temporária para o trabalho mas muito raramente embolia pulmonar; dermatite ocre com alteração da cor da pele (escurecimento); sangramento e úlcera de perna, estes três últimos em casos crônicos e sem tratamento.

- TRATAMENTO E PROCEDIMENTOS:

Desde que Hipócrates cauterizou varizes com ferro em brasa, o tratamento desta doença evoluiu muito e, atualmente, a maior parte dos pacientes com veias varicosas podem ser tratados de modo confortável e com excelentes resultados estéticos e funcionais. O tratamento deve ser individualizado e o julgamento criterioso já que não existem fórmulas mágicas aplicáveis a todos os casos. Freqüentemente há a necessidade da associação de mais de uma modalidade de tratamento em um mesmo paciente.

VARIZES ESSENCIAIS:

A) Tratamento Clínico: Muitos pacientes com varizes podem ser tratados clinicamente. O paciente deve ser orientado a evitar períodos prolongados em pé ou sentado, obesidade e sedentarismo. Outras medidas a serem prescritas são:
-meias elásticas (média ou alta compressão) devem ser colocadas pela manhã, antes de levantar da cama e só retirar à noite;
-elevar as pernas 10-15 minutos, 3 vezes por dia;
-caminhar regularmente, no mínimo 20 a 30 minutos por dia, para exercitar a bomba músculo-venosa da panturrilha;
-evitar trauma às veias varicosas.

Estas medidas são eficazes para aliviar os sintomas porém não interferem no inconveniente estético das varizes.

B) Tratamento Cirúrgico: As varizes podem ser tratadas através de cirurgia com excelente resultado estético e funcional. Os melhores candidatos à cirurgia são indivíduos ativos e não obesos. As indicações para o tratamento cirúrgico são hemorragia, tromboflebite superficial, úlceras e dor persistente, além das razões estéticas.

Há uma tendência atual à preservação da veia safena magna e realização de procedimentos mais conservadores, com micro incisões e agulhas de crochê, na maior parte das vezes sem necessidade de pontos o que torna o procedimento mais simples e com melhor resultado estético.

TELANGIECTASIAS OU MICROVARIZES:

A) Escleroterapia: Consiste na injeção de um líquido esclerosante dentro da veia e com o objetivo de lesar o endotélio (revestimento interno do vaso), causando uma trombose que com o tempo fecha o vaso e é absorvida.

B) Laser (Photoderm): Mais recentemente o laser e a luz pulsada (Photoderm) vêm sendo utilizados para o tratamento de telangiectasias e outras lesões vasculares benignas. Este tratamento não invasivo, é realizado emitindo-se pulsos de luz de alta intensidade. Esta luz atravessa a pele (protegida por um gel gelado) e atinge o vaso, aumentando a temperatura do sangue dentro deste e lesando o endotélio pelo mecanismo chamado de fototermólise. Com isto há o fechamento destes vasos com posterior absorção e clareamento. Pode também ser usado em telangiectasias de face, pescoço e hemangiomas.

Figura 2. Ação do laser (Photoderm) em microvarizes
Figura 2. Ação do laser (Photoderm) em microvarizes

Clique aqui para ver a animação da ação do laser (Photoderm) em microvarizes

Notas de apoio: