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Notícias - Porto Alegre já está pronta para aplicar novo tratamento cardíaco testado nos EUA


Estudos científicos conduzidos por especialistas norte-americanos, que foram recentemente apresentados na reunião anual do American College of Cardiology e publicados,nesse sábado (16/3), no New England Journal of Medicine (www.nytimes.com/2019/03/16/health/aortic-valve-replacement-heart.html), garantem a eficácia de técnica minimamente invasiva em pacientes com estenose aórtica, menos idade e menor risco cirúrgico. Antes, o procedimento chamado de Implante Transcateter de Valva Aórtica – TAVI era restrito a idosos acima de 80 anos com doenças associadas e risco elevado para  cirurgia convencional que exige abertura do tórax e parada forçada do coração a fim de inserir a nova válvula aórtica. Os médicos que atuam na área cardiovascular acreditam que estes resultados mudarão a conduta adotada até agora na maioria das pessoas com estreitamento grave na válvula aórtica.

Porto Alegre  é centro de referência em TAVI desde 2012, quando o médico, professor e  pesquisador gaúcho Eduardo Keller Saadi  destacou-se na realização da prática do procedimento menos invasivo em idosos com riscos e ganhou reconhecimento internacional. O especialista foi o primeiro cirurgião cardiovascular brasileiro a receber certificação para implante de valva transcateter CoreValve, uma das próteses testadas em um desses estudos.  O médico acumula experiência de 10 anos com o método, uma das maiores do Brasil, e já implantou cerca de 500 válvulas por cateter. Pacientes de todo o país e até de países vizinhos buscam aqui na Capital a segurança para a colocação da prótese no coração.   Agora, com a conclusão dos novos testes em cardíacos mais jovens e com menor risco cirúrgico, a tendência é aumentar a procura.  

- Aqui em Porto Alegre, a  substituição da válvula aórtica tem sido realizada com êxito em pacientes idosos e com restrições à tradicional operação. As duas novas pesquisas envolvendo doentes com cerca de  70 anos  ampliam os benefícios do método, favorecendo  uma faixa etária que antes estava fadada à cirurgia de peito aberto e pausa dos batimentos do coração . A previsão é que diminua o número dessas cirurgias.   Além de ser um método menos agressivo, o TAVI ocupa menos tempo do centro cirúrgico, pode ser realizado com anestesia local, demanda menos dias de internação, proporciona recuperação mais rápida, oferece mais conforto para o paciente  e, principalmente, diminui a ocorrência de sequelas derivadas da cirurgia padrão.  - Afirma o cirurgião cardiovascular Eduardo Keller Saadi .   

Os estudos inovadores incluíram mais de 1.000 pessoas com estenose aórtica.  A análise feita em Nova York e que acompanhou as mortes e derrames incapacitantes um ano após  cirurgia convencional e TAVI registrou a incidência de  2,9% com cirurgia versus 1% com implante transcateter. Já a pesquisa realizada em Boston estimou mortes ou infartes incapacitantes em dois anos encontrando taxas de 6,7% com cirurgia versus 5,3% com TAVI. 

Apesar do extraordinário avanço das técnicas minimamente invasivas,  Dr. Saadi lembra que a cirurgia convencional ainda tem um papel importante em alguns casos, como por exemplo em pacientes com válvulas aórticas bicúspides, que foram excluídos desses estudos. Uma avaliação cuidadosa e individualizada de cada paciente é importante para definir qual o procedimento mais indicado para uma determinada situação clínica.

Estenose Aórtica

Muita gente tem a doença e não sabe. Por muitos anos, ela cursa silenciosa e não dá sinais.  Apesar de desconhecida pela maioria da população, é uma enfermidade cardíaca frequente que afeta mais de 200 mil brasileiros. Atinge cerca de 6% das pessoas com mais de 75 anos. Caracteriza-se por uma calcificação da válvula (ou valva) aórtica que impede o fluxo normal do sangue do coração para a aorta. Está localizada na saída do coração, entre o ventrículo esquerdo e a aorta, artéria que leva sangue para todo o corpo. A área valvar aórtica normal tem cerca de 3 a 4 cm2 e é composta de uma espécie de três lâminas finas e engrenadas que se abrem bem quando o coração se contrai, permitindo a passagem do sangue do ventrículo esquerdo para aorta e desta para o corpo todo. Depois, essas lâminas se fecham, impedindo que o sangue ejetado retorne para o coração sobrecarregando-o. Quando a pessoa tem estenose aórtica grave significa que a área da válvula está reduzida, com aproximadamente 1 cm2 ou menos,  não está funcionando bem, ou seja, dificulta o fluxo de sangue que sai do coração porque não consegue se abrir completamente. Houve uma calcificação, um endurecimento que obstrui a saída do volume normal de sangue do coração para a aorta. Pode-se comparar com uma torneira ( ou mangueira) entupida que, ao abrir, passa pouca água.  As principais manifestações são angina (dor no peito), insuficiência cardíaca e desmaios. A morte súbita é frequente quando a estenose é grave e os pacientes apresentam sintomas.

 Correção com Cirurgia Convencional

Exige a abertura do peito, parada do coração, circulação extracorpórea, abertura da aorta e retirada da válvula com problema. No topo da aorta é implantada uma prótese que vai substituir a válvula calcificada e garantir o correto fluxo sanguíneo. O tempo de internação é de 5 a 7 dias. A prótese pode ser mecânica ou biológica (de pericárdio – membrana que envolve o coração  - de boi ou de porco)

 

Correção com ​​Implante Transcateter de Valva Aórtica – TAVI

O implante da valva (válvula) transcateter é considerado um grande avanço tecnológico no tratamento da estenose aórtica. Procedimento menos invasivo que substitui a válvula doente.  Um cateter é introduzido, com uma incisão mínima, via artéria femoral (na virilha). Com técnicas especiais, a nova válvula é liberada do cateter e fixada no local da calcificada no coração. O tempo de internação é menor, em torno de 2 a 3 dias, e permite volta às atividades habituais em 1 semana.

 

Causas da Estenose Aórtica

Cardiopatia congênita (valva aórtica bicúspide)

Acúmulo de cálcio na válvula aórtica

Febre reumática

Doença renal crônica

 

Prevenção

Prevenir a febre reumática

Tratar pressão alta, obesidade e colesterol alto

Cuidar dos dentes e gengivas, diminuindo o risco de endocardite (infecção das estruturas internas do coração, principalmente das válvulas cardíacas)

 

Saiba mais sobre o Dr. Saadi

Graduado em Medicina pela UFRGS. Residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Cardiovascular no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Fellowship em Cirurgia Cardiovascular no Royal Brompton Hospital, Londres. Mestre e Doutor de Medicina pela UFRGS. Pós-doutorado no Royal Brompton Hospital, Londres.

Professor Titular de Cirurgia Cardiovascular da UFRGS. Presidente do Departamento de Cirurgia Endovascular e Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.

Chefe do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital São Lucas da PUCRS.

Cirurgião Cardiovascular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Hospital Moinhos de Vento.

Gestor da Área Cardiovascular do Hospital Mãe de Deus e do Hospital Universitário de Canoas.

Primeiro cirurgião cardiovascular brasileiro a receber certificação para implante de valva importada transcateter CoreValve.

Experiência com cerca de 500 válvulas implantadas por cateter

Porto Alegre já está pronta para aplicar novo tratamento cardíaco testado nos EUA