Fechamento transcateter de FOP e CIA Fechamento transcateter de FOP e CIA

O forame oval patente (FOP) é uma estrutura anatômica que 20% a 30% da população possui no septo que divide o átrio direito do átrio esquerdo. Normalmente, após o nascimento, há uma separação completa das cavidades cardíacas direitas e esquerdas. Esta abertura (um pequeno túnel) é necessária durante a fase intrauterina para a mistura do sangue no feto. Em 75% das pessoas ele fecha naturalmente após o nascimento mas, em cerca de 25% das vezes permanece aberto até a vida adulta, mantendo uma comunicação entre o átrio direito e o átrio esquerdo. O risco da permanência do forame oval patente é a ocorrência de uma embolização do sistema venoso ao sistema arterial, com complicações neurológicas (AIT, AVC criptogênico) ou periféricas.

Na maior parte dos casos, mesmo quando o FOP permanece aberto não há maiores consequências. Em alguns pacientes podem ocorrer embolizações para o cérebro causando alterações neurológicas temporárias(acidente isquêmico transitório – AIT) ou acidente vascular cerebral (AVC) com alterações maiores e, por vezes, irreversíveis.

O fechamento é indicado nos pacientes que tiveram eventos neurológicos prévios compatíveis com embolização cerebral (AIT ou AVC), onde outras causas para embolização foram excluídas como fibrilação atrial, trombo em átrio esquerdo, doença de carótidas, placas complexas na aorta ou trombofilia (tendência a excesso de coagulação). Nestes casos, e com a demonstração de um FOP no ecocardiograma transesofágico de alto risco-com passagem espontânea de bolhas do átrio direito para o átrio esquerdo e por vezes aneurisma de septo interatrial, o FOP deve ser fechado para evitar futuras embolizações e lesões neurológicas. A expressão aneurisma de septo por vezes engana, mas diz respeito a um septo fino e bastante móvel, mas não há risco de ruptura como nos aneurismas arteriais e sim maior risco de embolização pelo FOP. Portanto o aneurisma aqui é diferente dos aneurismas em outras regiões do corpo.

Após estabelecido o diagnóstico, sua relação causa-efeito, feita a investigação e descartada outras fontes de embolização cerebral a opção pelo fechamento percutâneo do defeito septal deve ser fortemente considerada e discutida com o médico. Em alguns casos excepcionais pode-se optar por medicamentos antocoagulantes por toda a vida. Com o procedimento de fechamento estes medicamentos não serão mais necessários a longo prazo.

O procedimento consiste em colocar uma prótese tipo um guarda-chuvas no defeito septal atrial, fechando definitivamente o forame oval patente (FOP). Esta prótese normalmente tem dois discos. O fechamento do forame oval patente é realizado por uma punção na virilha com abordagem da veia femoral direita. A prótese é guiada por um cateter através da veia femoral, veia cava inferior, átrio direito e cruzada ao átrio esquerdo até a entrada da veia pulmonar esquerda, sob visão de ecocardiograma transesofágico e fluoroscopia, até ser posicionada no defeito septal. Este dispositivo é liberado e posicionado com rigoroso controle por imagem. Quando liberado(aberto) um disco fica no átrio esquerdo e outro no átrio direito, fechando o defeito. Após o dispositivo liberado e posicionado através do ecocardiograma transesofágico se examina se não há passagem de sangue de um átrio para o outro através do Doppler colorido e de teste com injeção de bolhas.

Após o procedimento, o local onde foi feita a punção será comprimido por alguns minutos ou utilizado um dispositivo de fechamento vascular. O procedimento é realizado totalmente sem cortes portanto a recuperação bem rápida, normalmente requerendo somente algumas horas na CTI ou sala de recuperação para monitorização do eletrocardiograma e pressão e alta hospitalar se dá em 1 a 2 dias. No pós procedimento recomenda-se não levantar ou carregar muito peso por cerca de 30 dias até o dispositivo estar bem incorporado ao coração, para não correr risco de deslocamento. Após este período inicial não há mais risco de haver deslocamento do dispositivo.

Em poucos dias há condições de retomar as atividades habituais de trabalho. Quanto à prática de exercícios físicos tipo musculação o paciente deve combinar com o médico o período de retomada, mas normalmente após um mês todas as atividades podem ser realizadas, sem restrições.

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